quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Trabalhadores rejeitam por maioria proposta de reajuste da BRF

Assessoria de Imprensa
Sindicato da Alimentação

Votos são contabilizados  e resultado é pela rejeição da
proposta da empresa (Foto; Silmar Ramos)
Os trabalhadores da unidade da BRF, em Toledo, no Paraná, rejeitaram por maioria na tarde desta quarta-feira, 20, durante Assembleia, a proposta de reajuste oferecida pela empresa na última rodada de negociação também ocorrida na cidade na segunda-feira, 18.Dos aproximadamente 6.800 trabalhadores, 4.608 compareceram para votar e 2.634 disseram não a proposta e outros 1.947 disseram sim. Nulos e brancos somaram 27 votos.

Com essa vitória, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Toledo e Região, que representa a categoria deve iniciar já nesta quinta-feira, 21, os preparativos para a greve, a menos que a empresa retome a negociação e ofereça uma nova proposta que atenda a todas as classes de salários, sem escalonamentos e com ganho real para os trabalhadores. Se confirmar a greve em Toledo, vai representar também marca histórica e negativa para a unidade, pois será a primeira em mais 40 anos de fundação.

“A Assembleia é soberana e sempre vale a vontade dos trabalhadores e a maioria entendeu que essa proposta não reconhece seus esforços que tornaram essa empresa uma das maiores do mundo”, definiu o presidente João Moacir Lopes Belino. 

Desde 2003, o históricos de negociações do Sindicato com a BRF sempre resultou na conquista de ganhos reais para trabalhadores, diferente da proposta apresentada neste ano que no entender do Sindicato privilegia uma classe de salários e desprivilegia outras com o chamado aumento escalonado.

Na prática, a empresa ofereceu reajuste de 10,33% para que recebe até R$ 1.300,00 e mais uma variável de R$ 50,00. De R$ 1.300,00 até R$ 1.600,00 a empresa ofereceu 7% e mais variável de R$ 480,00 e de R$ 1.600,00 acima, o aumento oferecido foi de R$ 6,5% com variável de R$ 700,00. Essa primeira parcela da variável seria paga já no mês março e partir daí, apenas se as metas estabelecidas pela empresa forem cumpridas.

A variável, segundo o presidente João Moacir, é boa apenas para a empresa que busca bater suas metas de produção e venda. “Entendemos que para o trabalhador isso não representa melhora e sim mais cobrança por parte de supervisores para que a produção seja aumentada”, disse João Moacir.

Histórico de negociações

Ano                            INPC %          Reajuste %                Lucro Real %
2003/2004               16,15              16,15                          0
2004/2005               5,72                6,72                            1
2005/2006               5,42                6,6                              1,18
2006/2007               2,71                4                                 1,29
2007/2008               4,78                6                                 1,22
2008/2009               7,25                8,3                              1,05
2009/2010               4,17                6,5                              2,33
2010/2011               5,39                8                                 2,61
2011/2012               6,68                8,5                              1,82
2012/2013               5,99                8,5                              2,51
2013/2014               5,58                8                                 2,42
2014/2015               6,34                8,5                              2,16

GANHO REAL NOS ÚLTIMOS ANOS – 19,59%